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Viagem: Curiosidade acima dos limites

Há necessidade de arriscar a vida para realizar uma viagem?

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Mergulhador vendo navio naufragado.
Mergulhador ao lado de navio naufragado (Foto: Martin Str por Pixabay)

A viagem é uma das práticas mais antigas da humanidade. O ser humano está sempre se deslocando pelo planeta por alguma razão, seja em busca de moradia, alimento, em razão de guerras, mudanças de temperatura, conhecimento, lazer e, entre tantas outras razões, curiosidade.

Os deslocamentos foram se organizando com o passar do tempo. Aconteceram melhorias nas estradas e nos meios de transporte, foram criadas as hospedarias e os espaços começaram a se preparar para receber visita pública, criando e estruturando atrativos turísticos.

As motivações para viagens também se transformaram bastante, mas a curiosidade continuou como um dos principais fatores. Isso levou o ser humano a desafiar diversos limites. 

A trágica aventura do Titan

Recentemente o mundo parou para acompanhar a curiosidade indo acima dos limites. O submergível Titan desapareceu durante uma expedição aos restos do Titanic, naufrágio mais famoso da história. A trágica aventura teve um desfecho depois de quatro dias, quando encontraram os destroços do veículo. O Titan teria implodido cerca de 90 minutos depois do início da expedição. Todos os cinco tripulantes morreram, incluindo Stockton Rush, CEO da OceanGate, companhia responsável pela viagem. 

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Apesar de já terem sido realizadas outras expedições pela empresa, o submergível nunca havia sido certificado ou avaliado por autoridades ou órgãos competentes. Especialistas em exploração em alto mar alertaram Rush da necessidade de uma verificação mais aprofundada da embarcação antes que as expedições fossem comercializadas. Contudo, o CEO da OceanGate rebateu dizendo estar cansado da utilização do argumento da segurança para impedir a inovação. 

O desastre do Vulcão Whakaari

Mas esse caso não foi o único em que as regras de segurança foram ignoradas em prol da curiosidade e isso culminou em um final trágico. Em 2019, o Vulcão Whakaari entrou em erupção enquanto aconteciam diversas visitas turísticas na Ilha Branca – Nova Zelândia, onde está localizado. O desastre tirou a vida de 22 pessoas.

O caso virou até documentário na Netflix ao final de 2022. O filme mostra o que aconteceu na ilha e como se deram os resgates aos sobreviventes da tragédia. O Vulcão Whakaari possui mais de 150 mil anos e é um estratovulcão ativo. Isso significa que ele é um vulcão formado por diversas camadas de lava de erupções ao longo dos anos. Mas, apesar disso, visitas à Ilha Branca e a cratera do vulcão aconteciam com frequência.

Vulcão Whakaari em erupção.
Vulcão Whakaari em erupção (Foto: Julius Silver por Pixabay)

A companhia responsável pelo vulcão – Whakaari Management Ltd. e as operadoras de turismo ID Tours NZ Ltd. e Tauranga Tourism Services Ltd., que realizavam os passeios no momento do acidente, negligenciaram os alertas que estavam sendo realizados por cientistas a respeito do aumento da movimentação da atividade vulcânica do Whakaari. Na semana da tragédia, o vulcão estava com “nível 2 de alerta” de uma escala de 5. Dessa forma, indicava que a atividade vulcânica estava “moderada a elevada”.  

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Fatalidade evitada

Ao final da primeira quinzena de julho, outra atividade vulcânica voltou a virar notícia. Um vulcão na Islândia entrou em erupção e acabou virando “atrativo turístico” para um grupo de espectadores que não conseguiram resistir à atração da lava “tão laranja quanto o Sol”. A erupção foi de “baixa intensidade”, mas as estimativas indicaram que o fluxo é mais poderoso que o das duas erupções anteriores, que ocorreram em 2021 e 2022. Evitando que aconteça mais uma fatalidade, as autoridades islandesas proibiram a aproximação da área em erupção.  

Limites

Acontecimentos como os citados revelam a importância de se refletir sobre o que pode e o que não pode ser classificado como atividade turística. Turismo, para acontecer, precisa possuir uma boa estrutura, com a segurança vindo sempre em primeiro lugar, afinal, só é turismo se os turistas conseguirem ir e voltar da viagem. A curiosidade não precisa ser maior do que o medo de correr risco de vida.

Para toda e qualquer atividade turística, o planejamento e a estruturação são etapas essenciais. Uma vez que acontece a avaliação dos riscos da viagem nesses momentos. É durante o planejamento que se identifica se uma localidade tem potencial para se tornar um atrativo turístico e quais são as condições necessárias para que isso aconteça. Essa etapa precisa acontecer com bastante seriedade por uma equipe capacitada. O mesmo vale para o momento da estruturação, que só deve acontecer após um planejamento cauteloso, que leve em consideração todos os fatores que possam transformar o sonho da viagem em um pesadelo.

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Contudo, não é só a parte interna que precisa estar atenta aos perigos de uma atividade turística mal planejada, é preciso que turistas sejam conscientes e não “se joguem” em qualquer aventura apenas pela curiosidade. Quando um faz, outros também querem fazer e quanto mais gente realizando algo que não é totalmente seguro, maior o risco de acontecer uma tragédia. 

Uma vez que a curiosidade vencer, saiba escolher com cuidado como fazer isso. Pesquise bem a companhia escolhida, busque saber sobre medidas de segurança, quais riscos que você corre e o cuidado que a empresa tem com a atividade. E lembre-se: nem tudo precisa ser turismo. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.