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Maceió: Desastre ambiental e o turismo

Entenda como o turismo pode ser a solução para localidades que passaram por um desastre ambiental

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Maceió (AL) 02.12.2023, Bairros com risco de afundamento desocupados em Maceió. Minas da Braskem. Foto: Gésio Passos/Agência Brasil
Bairros com risco de afundamento desocupados em Maceió. Minas da Braskem. (Foto: Gésio Passos/Agência Brasil)

Nos últimos dias os olhos da mídia e do Brasil estão voltados para Maceió, capital de Alagoas. A cidade está sofrendo risco de um eventual desabamento de uma mina que era explorada pela Braskem para extração de sal-gema. Em decorrência disso, mais de 15 mil imóveis foram desocupados e bairros viraram áreas fantasmas. Não é a primeira vez que um desastre ambiental acaba com uma cidade no Brasil. A imprudência de indústrias destrói cidades, famílias e histórias. Mas o que isso tem a ver com turismo?

Em meio a posts clamando por atenção para o problema que assola Maceió, o influenciador Carlinhos Maia também fez uma postagem reforçando que a área atingida da cidade se localiza distante da região turística. Informando, assim, que o turismo segue acontecendo naturalmente. A atitude do influenciador dividiu opiniões. Alguns internautas repudiaram a ação alegando que havia soado insensível em relação a tragédia iminente, enquanto outra parcela o defendeu, apontando a importância do turismo para a cidade de Maceió, especialmente em um momento como esse. 

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O turismo é um setor que movimenta direta e indiretamente outros setores, podendo causar um verdadeiro impacto positivo quando realizado de maneira correta. Em Maceió, o turismo já é uma atividade econômica ativa, sendo o destino reconhecido tanto nacional quanto internacionalmente. Contudo, é preciso refletir se a prática turística tem dado um retorno favorável para todo o território e para seus moradores ou apenas para um pequeno trecho. Afinal, para acontecer de forma sustentável, o turismo precisa ser bom para os turistas, para o local e, principalmente, para seus moradores.

A atividade turística tem o poder de transformar um território, a forma que isso acontece depende da maneira que o turismo é implementado. Primeiramente, precisa ser um desejo da população local, que deve atuar ativamente no setor, seja de maneira direta ou indireta. O importante é que o retorno econômico fique com a comunidade e ajude a desenvolver o destino turístico, tornando-o bom para quem habita e melhor ainda para quem o visita. 

Turismo como solução

Em situações como a que Maceió está enfrentando, o turismo pode ser um grande aliado para reerguer o destino, dando uma nova perspectiva para os moradores e se tornando mais uma possibilidade econômica para a localidade. Parte de Maceió já tem forte atuação do turismo, mas é preciso expandir o setor para que seus impactos cheguem a quem não está na área turística. O turismo precisa desenvolver o destino como um todo e não apenas a região que lida diretamente com turistas. 

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A atividade turística continuar acontecendo mesmo diante da situação em que a cidade vive, pode funcionar como uma “solução” em tempo real, porém, para isso, é preciso empregar a população que foi deslocada e dar oportunidade para aqueles que se encontram desnorteados. Dessa forma, a comunidade pode se fortalecer e criar novas perspectivas através do turismo. Além disso, por meio do turismo é possível atrair uma maior visibilidade para o desastre, colocando mais pressão nas autoridades responsáveis. 

O turismo pode e deve ser sempre um aliado dos destinos turísticos. Em localidades que há uma indústrua ou um setor dominante, o turismo pode nascer como alternativa para equilibrar a economia local. Entretanto, é preciso ter em mente que turismo é como uma criança, que aprende a andar em passos lentos. O retorno não será imediato como de uma empresa, mas quando bem executado, terá um efeito muito melhor e mais duradouro sobre o território e a população que nele habita. 

Brumadinho: Turismo como reparação

Em janeiro de 2019, um segundo desastre envolvendo o rompimento de barragem assolou Minas Gerais. A Barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, no município de Brumadinho, se rompeu, causando um verdadeiro desastre na região, com 29 municípios atingidos e 272 vidas perdidas. O acontecimento se tornou a maior tragédia humanitária da história do país. 

Entre as medidas de reparação socioeconômicas assinadas pela Vale, estava o fortalecimento do setor do turismo da região, como forma de se tornar uma atividade econômica viável para a comunidade e uma alternativa para o município que era dominado pela indústria. Dessa forma, foram realizados diversos projetos na região para que o turismo começasse a acontecer de forma sustentável.

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Existem muitos projetos de turismo acontecendo em Brumadinho e região, um deles é o Veredas. Brumadinho, além de ser um destino turístico individual, também integra a IGR (Instância de Governança Regional) Veredas, que é composta por 15 municípios. Para a região, foi implementado um projeto que a tornasse um destino de experiências turísticas, com capacitação e consultoria personalizada para ampliar e profissionalizar a oferta turística da região, contribuindo assim para seu desenvolvimento econômico.

O projeto é exemplo de como o turismo pensado e estruturado pode ser uma alternativa viável para regiões que passaram por desastres ambientais e precisam se reerguer, sem ter que voltar a depender exclusivamente da indústria ou do setor que dependiam anteriormente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.