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Turismo e Gastronomia

Alta gastronomia chega aos cafés da manhã de hotel

O protagonismo da gastronomia em hotéis ganha força

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Duas fotos mostram comidas. Na primeira torradas com salmão cru, café, queijo e pessoas desfocadas ao fundo. Na segunda um bolinho de chuva espetado em um garfo.
Os cafés da manhã de diversos hotéis assumem protagonismo na hotelaria. (Foto: Thiago Paes)

Aquele farto café da manhã que a gente encontra nos restaurantes dos hotéis estão cada vez mais elaborados e sofisticados. Embora alguns desses desjejuns já fizessem jus aos melhores lugares em qualquer premiação gastronômica, continuavam restritos a hóspedes ou, quando muito badalados, a um brunch no meio da tarde.

Faz algum tempo que os hotéis perceberam que o A/B – Alimentos e Bebidas vão muito além do room service. Mas foi preciso o tissunami da pandemia chegar para que os restaurantes escondidos e, muitas vezes, esquecidos no fundo do lobby, aparecessem como protagonistas de uma operação complexa, como é a hoteleira.

A baixa de hóspedes durante o ápice da crise pandêmica fez muitos empreendimentos correrem atrás de tudo que pudesse faturar num caixa de hospedagem já bastante vermelho. Entretanto, a solução estava dentro do próprio hotel.

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Um novo momento na gastronomia dos hotéis

Eu particularmente vi de tudo: feijoada tradicional em caixa para a família levar para casa, café da manhã cheio de requinte em caixa de madeira com louça em porcelana; café de presente para o dia dos pais; almoço para terminar de preparar em casa, além de outras tentativas de movimentar o hotel por meio da cozinha.

Passada essa fase, vale lembrar alguns cafés da manhã que são referência de boa gastronomia e atraem hóspedes e não-hóspedes para uma refeição que vai além do comer e beber. Por isso, mais do que nunca, exercem agora seu protagonismo na hotelaria.

Entre os emblemáticos cafés da manhã, o do Hotel Emiliano, que leva o mesmo nome do empreendimento. De açaí orgânico trazido do Pará a creme de pitaya. Além da lindíssima mesa posta e o serviço impecável, o Restaurante Emiliano prima pela elegância do ambiente contemporâneo que mescla jardinagem e formas geométricas visualmente agradáveis.

De certo, o requinte do café da manhã do hotel Emiliano não é uma regra entre os sofisticados hotéis de luxo, que muitas vezes teimam em padronizar a gastronomia com receio de errar. Por isso vale chamar atenção pela forma sofisticada que o hotel mantém o serviço, tornando a gastronomia uma de suas referências.

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Outro café da manhã que chama atenção é o do Osli Restaurante, que fica no lobby do Hotel LK Design em Florianópolis. O bufê em ilhas de todos os tipos, fazem o cliente circular pelo melhor da gastronomia local. Pães, bolos, frutas, do tradicional aos restritivos. Uma das ilhas é exclusiva de produtos sem glúten e sem lactose, um diferencial não visto em muitos outros hotéis de luxo, que se reservam a poucas opções.

Outro diferencial do café da manhã no LK Design é uma ilha de doces, feitos pela pastry chef . Tudo isso mostra que o restaurante Osli veio para consagrar o hotel como uma das melhores experiências gastronômicas de Florianópolis.

Já Novotel BH Savassi, encontrei uma dezena de queijos artesanais: da Serra da canastra ao minas frescal. Tudo para dizer ao hóspede mais uma vez que ele está num dos destinos escolhidos pela Unesco como Cidade Criativa da Gastronomia. E não é só mais um título que Belo Horizonte recebe, é uma reverência a uma culinária que de tão enraizada em nossa cultura, por meio de produtos tão brasileiros, tornou-se nacional. Uma comida tão brasileira quanto os temperos baianos ou o churrasco gaúcho.

E o Novotel BH Savassi traz essa regionalidade para a mesa do café da manhã do “Nuuu Restaurante”. Além queijos, os doces de produtores conhecidos por sua origem e regionalidade, e ainda, as combinações bem brasileiras do menu criativo, como por exemplo, o vatapá mineiro, que leva dendê, frango e crispy de batata salsa.

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Até mesmo bandeiras de hotéis mais econômicos, como o Ibis, tem posicionado sua operação que permita um protagonismo gastronômico. O Ibis Blumenau, por exemplo, franqueado Accor pela Atrio Hotéis, traz um pouco dos símbolos gastronômicos da cidade para o café da manhã. Torta de frango do Café Haus – tradicional confeitaria da cidade; e ainda outras receitas típicas alemãs como strudel, a linguiça Blumenau. “Tudo para criar uma experiência para o cliente” afirma o gerente geral da unidade Luciano Kochela.

Nunca foi tão importante trazer a gastronomia para a porta principal dos hotéis, cada vez mais frequentados pelas pessoas da própria cidade, a trabalho ou a lazer. Abrir a cozinha para o público pode ser fundamental para a operação, atraindo turistas e moradores da cidade.

Essa é a cara do novo turismo no mundo. Um Turismo que trata visitante e morador como face da mesma moeda. Quem viaja quer ser recebido pelas pessoas daquela cidade, e quem mora num destino turístico quer receber turistas responsáveis com as questões ambientais, culturais e origens culinárias, quer ter sua história compreendida e compartilhada. Pense nisso!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.